Flávio Bolsonaro aceita desafio de Lula para abrir sigilos, mas exige dados de Janja, Lulinha e assessores
Presidenciável do PL apresentou documento ao TSE e condicionou a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos à abertura de informações de pessoas ligadas ao presidente
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais. O candidato do PL afirmou que aceita o desafio de Lula para divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas, mas apresentou uma série de condições para que a medida seja realizada.
Durante uma agenda em Guarulhos, na Grande São Paulo, Flávio cobrou a divulgação de dados do Instituto Lula, de familiares do presidente, de antigos assessores e de despesas relacionadas ao cartão corporativo da Presidência da República e à primeira-dama, Janja da Silva.
O senador também protocolou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na qual afirma autorizar a abertura de seus próprios sigilos referentes aos últimos 20 anos. No entanto, condiciona a apresentação dos dados ao atendimento das exigências feitas ao adversário.
Flávio cobra informações sobre Janja, Lulinha e ex-assessor de Lula
Entre as condições apresentadas pelo candidato estão a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e a divulgação de informações financeiras relacionadas ao Instituto Lula.
Flávio argumenta que a abertura apenas dos registros telefônicos do presidente seria insuficiente, pois, segundo ele, parte das comunicações de Lula teria sido realizada por meio de aparelhos utilizados por assessores.
O candidato também pede acesso a dados de filhos do presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de pessoas próximas à família.
Outra exigência envolve a divulgação de despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, além de registros de visitas ao Palácio da Alvorada e informações relacionadas à agenda de Janja.
As solicitações fazem parte da petição apresentada pela campanha de Flávio e não representam, por si só, comprovação de irregularidades envolvendo as pessoas citadas.
Candidato do PL também menciona Banco Master
No documento encaminhado ao TSE, Flávio afirma não se opor à divulgação de mensagens que tenha trocado com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Em contrapartida, solicita informações sobre reuniões de Lula com o empresário, registros de entradas em prédios oficiais e outros documentos que, segundo sua campanha, poderiam esclarecer relações entre o governo e o banqueiro.
A petição também inclui pedidos relacionados a pessoas mencionadas em investigações sobre fraudes contra aposentados do INSS.
Até o momento, essas exigências representam pedidos formulados pela campanha eleitoral, e não determinações judiciais para a divulgação dos dados.
Lula havia lançado desafio durante debate na Band
A discussão começou no domingo (18), durante o debate presidencial promovido pela Band.
Em meio a uma troca de acusações sobre corrupção, Lula propôs que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo informações de familiares, para permitir o exame público dos dados.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou a proposta por meio de documentos encaminhados ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido apresentado por Lula abrange informações bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos oito anos e inclui a primeira-dama Janja e os cinco filhos do presidente.
A autorização também é condicionada à divulgação equivalente de informações de Flávio Bolsonaro e de seus familiares.
Documentos não significam que os sigilos já foram abertos
Apesar das manifestações dos dois candidatos, a apresentação de autorizações e petições não significa que os registros bancários, fiscais e telefônicos já estejam disponíveis ao público.
Os documentos apresentados estabelecem condições diferentes: Lula propõe a divulgação recíproca de dados dos últimos oito anos, enquanto Flávio menciona 20 anos de seus próprios registros e solicita informações adicionais de pessoas e instituições ligadas ao presidente, algumas desde 2003.
O acesso a dados de terceiros e a eventual divulgação das informações dependem de requisitos legais e de análise pelas autoridades competentes.
O assunto deve continuar no centro das discussões políticas antes do debate presidencial previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, e da votação do segundo turno, marcada para domingo (25).