Mais de 45 famílias podem ser despejadas em Itajá, e prefeito alerta para crise social e econômica
Lucas Machado anuncia criação de comitê de crise, pede apoio ao Governo de Goiás e busca mais prazo para cumprir decisão judicial de desocupação da Fazenda Coqueiros
A decisão judicial de desocupação de propriedades na região da Fazenda Coqueiros, em Itajá, no sudoeste de Goiás, provocou preocupação entre moradores e autoridades municipais. Segundo o prefeito Lucas Machado, mais de 45 famílias podem ser atingidas diretamente pela medida, além de trabalhadores e outras pessoas que vivem nas propriedades.
Em pronunciamento divulgado à população, o prefeito anunciou a criação de um Comitê de Crise para coordenar o atendimento aos moradores e alertou que a retirada das famílias poderá provocar consequências sociais e econômicas para o município.
“É uma demanda de mais de 100 anos. A gente vê com muita tristeza o fato da desocupação”, declarou.
Prefeitura pede mais prazo para retirada das famílias
Lucas Machado afirmou que a administração municipal respeitará a determinação judicial, mas considera insuficiente o prazo estabelecido para a desocupação.
Diante da situação, a prefeitura busca a prorrogação do prazo para permitir que a saída dos moradores seja organizada, com assistência social e apoio logístico.
“Nós vamos estar acatando a decisão judicial, mas pedindo a prorrogação do prazo, para que a gente possa organizar essas saídas”, explicou o prefeito.
A gestão municipal também solicitou apoio ao Governo de Goiás, considerando as limitações financeiras e operacionais de uma cidade de pequeno porte.
Desocupação pode afetar comércio e economia de Itajá
Além da preocupação com a moradia, o prefeito destacou que as famílias envolvidas possuem vínculos com a economia local.
Segundo Lucas Machado, a retirada dos moradores pode prejudicar o comércio e gerar dificuldades para trabalhadores que dependem das atividades desenvolvidas nas propriedades.
O prefeito classificou o cenário como uma possível crise social e econômica e afirmou que a prefeitura não dispõe, sozinha, dos recursos necessários para atender a todas as demandas.
Comitê de crise vai cadastrar famílias atingidas
O comitê anunciado pelo município deverá reunir equipes da Assistência Social, Obras e Transporte para identificar as necessidades dos moradores e organizar medidas de apoio.
De acordo com o pronunciamento, o atendimento para cadastramento das famílias começará no dia seguinte ao anúncio, das 7h às 11h, junto à Assistência Social do município.
A prefeitura pretende levantar informações sobre as pessoas atingidas, especialmente aquelas que precisarão deixar suas residências nas propriedades e não possuem outra moradia disponível.
Os dados deverão subsidiar os pedidos de auxílio encaminhados ao Governo de Goiás.
Prefeito promete apoio e cumprimento da decisão judicial
Ao encerrar o pronunciamento, Lucas Machado reafirmou que a administração municipal pretende acompanhar a situação das famílias durante o processo de desocupação.
“Nós vamos dar todo o amparo que as famílias precisarem. Vocês podem contar com a nossa administração”, afirmou.
A manifestação do prefeito não detalhou o número do processo judicial, a data-limite para a desocupação ou os fundamentos jurídicos da decisão. Essas informações são importantes para compreender a origem do conflito e os próximos passos do procedimento.
3. Complemento importante: a origem da disputa judicial
Uma consulta ao histórico do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) confirma que a Fazenda Coqueiros é objeto de uma antiga disputa pela propriedade das terras.
Em junho de 2015, a 3ª Câmara Cível do TJGO determinou a devolução das áreas aos herdeiros de Joaquim Ferreira de Matos. Segundo o tribunal, o conflito teve origem em acontecimentos da década de 1940 e envolveu decisões judiciais sobre a validade da aquisição das terras e pedidos de usucapião.
Esse histórico pode ser acrescentado à matéria do site, antes do trecho sobre o comitê, com o seguinte texto:
Entenda a disputa pela Fazenda Coqueiros
O conflito envolvendo a Fazenda Coqueiros é antigo. Em 2015, o Tribunal de Justiça de Goiás divulgou uma decisão que determinava a devolução de terras aos herdeiros de um antigo proprietário, após décadas de disputas judiciais. A controvérsia remonta à década de 1940 e envolve diferentes famílias da região. A documentação consultada, porém, não permite confirmar se a ordem de desocupação mencionada agora pelo prefeito decorre diretamente daquela decisão ou de um novo ato judicial.