Mulher é morta pelo marido em Goiânia; suspeito havia sido preso por violência doméstica há menos de um mês
Vítima de 40 anos foi atacada dentro de casa, no Setor João Braz. Filho de apenas 8 anos também ficou ferido. Com o caso, Goiás chega ao 58º feminicídio registrado em 2026
Uma mulher de 40 anos foi morta a facadas pelo próprio marido na tarde de domingo (18 de outubro), no Setor João Braz, em Goiânia. A vítima, identificada como Damiana Maria Alves de Assunção, foi atacada dentro da residência onde morava. Durante o episódio, o filho dela, um menino de apenas 8 anos, também ficou ferido.
O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Militar pouco depois do crime. O que chamou a atenção das autoridades foi o histórico recente do homem: ele já havia sido preso por violência doméstica no dia 25 de setembro, menos de um mês antes do feminicídio, mas acabou colocado em liberdade no dia seguinte, após passar por uma audiência de custódia.
Com a morte de Damiana, Goiás chegou à marca de 58 feminicídios registrados em 2026, conforme informações divulgadas nesta segunda-feira (19).
Filho de 8 anos também foi ferido durante o ataque
De acordo com informações da Polícia Militar, o crime aconteceu na tarde de domingo, quando o homem atacou a companheira com uma faca.
Durante a agressão, o filho da vítima também foi atingido. A criança recebeu atendimento de equipes de socorro e foi encaminhada consciente a uma unidade hospitalar.
Até a última atualização, não havia informações detalhadas sobre a gravidade dos ferimentos do menino ou seu estado de saúde após o atendimento.
Damiana não resistiu aos ferimentos.
O suspeito foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco tempo depois do ataque.
Suspeito havia sido preso por violência doméstica em setembro
Um dos aspectos mais graves do caso é que o homem já havia sido detido recentemente por violência doméstica.
Segundo a Polícia Militar, a prisão anterior aconteceu em 25 de setembro de 2026, apenas 23 dias antes do feminicídio.
Na ocasião, o suspeito foi apresentado à Justiça, passou por audiência de custódia e acabou liberado no dia seguinte.
A audiência de custódia é o procedimento em que a Justiça analisa a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da detenção, podendo determinar a liberdade do investigado, com ou sem medidas cautelares.
Não foram divulgados detalhes suficientes sobre os fundamentos da decisão que permitiu a soltura do homem.
O caso levanta questionamentos sobre o acompanhamento de situações de violência doméstica e os mecanismos de proteção disponíveis para mulheres ameaçadas por seus companheiros.
Familiares relatam histórico de conflitos no relacionamento
Familiares de Damiana relataram que o relacionamento era marcado por conflitos e separações.
Segundo os relatos, o casal já havia terminado a relação em diferentes ocasiões, mas posteriormente retomava a convivência.
As autoridades ainda deverão esclarecer as circunstâncias que antecederam o ataque e verificar se existiam medidas protetivas em vigor.
Também não foram divulgadas informações sobre eventuais denúncias anteriores feitas pela vítima.
Goiás chega a 58 feminicídios em 2026
A morte de Damiana representa o 58º feminicídio registrado em Goiás neste ano, segundo o levantamento divulgado em 19 de outubro.
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de mulher, incluindo situações de violência doméstica e familiar.
No Brasil, a Lei nº 14.994/2024 tornou o feminicídio um crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, podendo haver aumento conforme as circunstâncias.
O caso registrado no Setor João Braz chama a atenção não apenas pela morte da mulher, mas também pelo fato de o suspeito ter sido preso por violência doméstica semanas antes.
A investigação deverá esclarecer a dinâmica do crime e a responsabilidade do suspeito.
Como denunciar violência doméstica em Goiás?
Mulheres que enfrentam situações de violência doméstica podem procurar atendimento especializado e solicitar medidas protetivas de urgência.
O Ligue 180 funciona gratuitamente para orientação e encaminhamento de denúncias de violência contra mulheres.
Em situações de emergência, quando existe risco imediato à integridade física, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
Também é possível procurar uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) ou outra unidade da Polícia Civil.
A denúncia pode ser realizada pela própria vítima ou por terceiros que tenham conhecimento de situações de violência.