Por que vítimas de estupro têm dificuldade para denunciar? Veja dados e explicações
Medo, vínculos com o agressor e reações do trauma ajudam a explicar a subnotificação da violência sexual no Brasil.
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A taxa de subnotificação de estupros no Brasil permanece alta. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas 35% das vítimas registram boletim de ocorrência. Diversos fatores explicam esse dado, entre eles: medo de retaliação, vínculo com o agressor, vergonha e receio de não serem acreditadas.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 7 em cada 10 casos de violência sexual acontecem em casa, geralmente praticados por pessoas conhecidas. Isso pode dificultar a denúncia, principalmente quando a vítima é dependente financeiramente ou emocionalmente do agressor.
Estudos na área de psicologia indicam que o trauma pode provocar reações inesperadas. Algumas vítimas não conseguem gritar, fugir ou resistir fisicamente, entrando em estado de paralisia. Também é comum que tenham dificuldade de lembrar detalhes ou relatar os fatos em ordem cronológica, o que pode ser mal interpretado pelas autoridades.
Pesquisas internacionais reforçam a veracidade da maioria das denúncias. O psicólogo David Lisak analisou centenas de casos e concluiu que 90% das denúncias são legítimas.
Apesar de ser considerado crime hediondo, com pena de reclusão que pode chegar a 30 anos, muitos casos de estupro terminam sem julgamento por falta de provas ou ausência de denúncia formal.
Canais de denúncia:
Disque 100 | Ligue 180 | Polícia Militar – 190 | Delegacias | Conselho Tutelar | CRAS | CREAS