Advogado ligado a Trump pede investigação independente sobre eleição no Brasil e questiona decisão de Zanin
Martin De Luca, representante da Trump Media e da plataforma Rumble, criticou a prorrogação do horário de votação no segundo turno e cobrou esclarecimentos sobre os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral.
O advogado norte-americano Martin De Luca, que representa a Trump Media, empresa de comunicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a plataforma Rumble, pediu uma investigação independente sobre o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no domingo (25).
Em publicações feitas na rede social X nesta segunda-feira (26), De Luca questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de permitir a continuidade da votação até as 19h em determinadas seções eleitorais.
O advogado levantou suspeitas sobre os procedimentos adotados e sugeriu a possibilidade de irregularidades. Entretanto, não apresentou provas de fraude eleitoral ou manipulação dos resultados.
Advogado questiona prorrogação do horário de votação
A principal crítica de Martin De Luca envolve a decisão de Cristiano Zanin, tomada após problemas de transporte que dificultaram o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Inicialmente, a medida provocou dúvidas sobre sua abrangência. Posteriormente, Zanin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, esclareceram que a continuidade da votação até as 19h se aplicava exclusivamente às seções que ainda estavam abertas às 17h.
Isso significa que urnas já encerradas não seriam reabertas para receber novos votos.
Apesar do esclarecimento, De Luca passou a chamar o episódio de “Janela Zanin” e defendeu uma apuração independente para verificar como a determinação foi executada.
O advogado também destacou que Zanin atuou anteriormente na defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), questionando sua participação na decisão.
Martin De Luca levanta suspeitas sobre resultado eleitoral
Em uma das publicações, o representante da Trump Media colocou em dúvida a virada eleitoral de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente do petista.
De Luca apresentou a disputa como uma possível virada histórica ou resultado de uma fraude, interpretação que não foi acompanhada de evidências que comprovassem adulteração dos votos.
O advogado também afirmou que Lula teria perdido o primeiro turno por 11 milhões de votos. O número, porém, não corresponde aos resultados divulgados: a diferença entre Flávio e Lula naquela etapa foi de pouco mais de 2 milhões de votos.
No segundo turno, realizado em 25 de outubro, Lula foi reeleito presidente da República, superando Flávio Bolsonaro.
Advogado cobra explicações sobre urnas eletrônicas
Outro ponto levantado por De Luca foi a possibilidade de alterações nos equipamentos utilizados durante a votação.
O advogado citou informações atribuídas a uma fonte do TSE sobre a eventual necessidade de reprogramação de aproximadamente 490 mil urnas para permitir a ampliação do horário.
A hipótese foi mencionada em uma discussão jornalística sobre a viabilidade operacional da medida, mas não comprova que essa quantidade de equipamentos tenha sido efetivamente reprogramada.
De Luca pediu a divulgação de informações técnicas, orientações encaminhadas aos mesários e registros que permitam verificar como a determinação judicial foi cumprida.
Representante da Trump Media também fala em novo segundo turno
Em entrevista à Gazeta do Povo, o advogado ampliou suas críticas e defendeu que os procedimentos fossem submetidos a uma auditoria independente.
Ele afirmou que, caso uma análise confirmasse a regularidade da votação e a vitória de Lula, o resultado deveria ser reconhecido. Caso contrário, defendeu a possibilidade de realização de um novo segundo turno.
A posição expressa uma avaliação pessoal de Martin De Luca e não representa, por si só, uma determinação ou manifestação oficial do governo dos Estados Unidos.
Até as informações consultadas, não foram apresentadas evidências públicas que comprovem fraude na votação ou alteração irregular dos resultados eleitorais.
O episódio ampliou o debate político sobre a decisão judicial e os procedimentos adotados durante o segundo turno, enquanto permanecem os questionamentos apresentados pelo advogado.