Supersalários do Judiciário disparam e alcançam R$ 10,5 bilhões em 2024
Levantamento mostra que penduricalhos continuam elevando vencimentos acima do teto constitucional; aumento é de quase 50% em um ano.
Foto: Agência Brasil
Gastos com supersalários no Judiciário atingiram R$ 10,5 bilhões em 2024, representando um aumento de 49,3% em relação ao ano anterior. A constatação é de um estudo do Movimento Pessoas à Frente em parceria com o economista Bruno Carazza, baseado em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O levantamento aponta que esse crescimento é impulsionado por verbas classificadas como indenizatórias, que permitem aos magistrados ultrapassar o teto constitucional de R$ 46.366,19. Essas verbas, que incluem auxílios e gratificações, compõem mais de 43% da remuneração líquida dos juízes.
De 2023 para 2025, o salário líquido médio saltou de R$ 45 mil para mais de R$ 66 mil. Apenas uma minoria do funcionalismo público — cerca de 0,06% — recebe valores dessa magnitude, o que reforça desigualdades internas no setor.
Diante do cenário, o Movimento propõe nove medidas estruturais para conter os supersalários, incluindo exigência legal para adicionais, limite para retroativos, reclassificação de verbas e maior transparência. O grupo também defende que o tema seja incluído como prioridade na reforma administrativa em debate no Congresso Nacional.